JOANA

de pensar eu pensava:
o sol ser um sonrisal crescido no céu
descido no mar faria aquele chiado de cozimento
de pensar a lua era uma moeda
igual o Avô disse ser
— quem a puser no bolso enrica da noite pro dia
que a aranha
eu pensando
comia linha de costura e fazia sua própria casa cagando
a casa saída do fundo
de mulher esperar a cegonha
eu jamais compreendia 
longe do entendimento que era
entendimento eu tinha de ter fome

pensava que Joana
vizinha da casa pegada a nossa
por ter sumido uns tempos
a mãe chorando “minha Joaninha minha Joaninha”
pensava que Joana sumida
tinha virado Joaninha igual a mãe chamando
procurava uma Joaninha no quintal
levava na porta da mãe entalada de choro
(o medo de espragatar a pobre)
batia palmas
corria deixando a Joaninha no entendimento com a mãe
ficava escondido em casa
a respiração funda
— que foi que fez que está desconfiado?
— nenhum fazido não

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