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Mostrando postagens de Agosto, 2011
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GUIDA

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Guida conversava. Os braços a cortar o vento, as mãos a pegar mosquitos. Conversa de Guida só Guida conversava. A fala dela sem medo: boca que não tremia, testa que não suava. Guida era artista da conversa, amarrava a pessoa com o papo. Papeava papeava e amarrava. A Boa vista, a Rua da Esperança, a Thomas Cavalcanti, a Gervásio Pires, os palcos de Guida atuar. Guida sem maquiagem, as ferrugens na cara, as rugas. Guida nem ensaiava, toda de inspiração que era, toda real. Toda ela mesma. Ela mesma toda. Copia de Guida não havia no mundo. Procurasse nas novelas, nos filmes, revistas. Par de Guida não existia. Guida sem parelha. Guida e mais ninguém. A molecada sentava e Guida contava que havia casado com o prefeito. A molecada sentada na beirada, no meio fio, paralelepípedo, meio fio. Havia casado com o prefeito, andava em carro preto, vidro fumê, quatro portas. Opala. Opala ou corcel. Vivia no cabeleireiro a esticar o cabelo, a massagear. Era folheando uma revista, escolhendo um corte d…