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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012

Foi-se-embora

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“Ele subiu aos céus, está em casa com os seus da família.” Assim é que me passaram do final do filme: do ET ir-se-embora. Fiquei em dias de emburrado com isso. Que muito bem um daqueles ETs podia me visitar e vir morar comigo. Muito eu queria que um viesse. Havia beliche no quarto, havia frios na geladeira e os quentes fumaçavam nas panelas. Havia cobertores, banheiro — se fosse ele fazer uso — quintal e árvores em tempo de frutas.
Mas o ET foi-se-embora. O muito pouco que precisou, que foi apenas subir na bicicleta e partir. Nem houve nave, nem raio, nem estrondo. De precisar precisou somente uma bicicleta e uma lua cheia. E foi-se-embora.
Como não queria eu que se-me-viesse morar o ET logo fosse-embora, furaria os pneus de sua bicicleta, partiria a corrente das coroas e o aço dos freios. E se isto parecesse um mal a mim é que pareceria um bem. Pois não me caía à idéia do ET ficar a voltar para casa. Que sabia eu era que casa nenhuma existia no céu, de todas as casas plantadas no chão…

Mal e Bem

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Ocorre de a cultura suruuarrás logo resolver as artimanhas do mal. Isto se dando num exercício de que o vendo depressa o corta pela raiz. Acontece aos suruuarrás que se lhes nascem duas crianças de uma mesma barriga, e em mesma hora, uma delas haverá de ser dada em sacrifício.
Toma o pai a criança aos braços e entra, as profundas da floresta (de onde som humano não o chegue e nem de lá, se emitido, chegue donde saíra) e desfere o fim da criança, que pode ser enterrada, ainda que viva (a chorar), ainda que a mãozinha fique a segurar num dos dedos dos pai ou todo o corpo seu fique a espernear com o bolo de terra que lhe vem cair todo em cima ou pode ser de que o pai lhe venha a quebrar a espinha no osso de sua coxa ou simplesmente, e esta sendo a forma, não digamos ‘aceita’, mas a que mais tenha entrado em pratica, que é a do pai ir-se-embora, ficando o filho a própria sorte que é a um deus-dará. E a sorte  a lhe chegar, bem nos afigure, é a da morte: de uma onça em dias sem comer e do c…

DA LOUCURA COMO ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA

Que digo é que já fiquei a dar nó em lombrigas (as lombrigas a crescerem no estômago, a gente a lhes comer e nem sabermos. Assim era a minha conclusão: que não me passava que as lombrigas nascessem de um nada plantado na gente, senão que pela boca é que nos entrava) e até já fiquei a amarrá-las, as lombrigas, na cintura, a forma estável de um cinturão e só a essa forma é que ficavam, não adiantando querelas a forma de rodar na cintura, igual se fazia quando de um pedaço de mangueira untado e batizado em bambolê, como se era moda na meninice. Não servindo, assim então, em nada em presente pra namoro. E não estando as lombrigas mortas ficavam elas em querer se desatarem dos nós. Coisa que ficava a lembrar-me os dedos de minha avó no se desenleando do tricô. Que em tudo isso, se bem se olhasse as lombrigas, se perceberia o engenho dos nós a ficarem cegos. Nem bastava óleo, o tanto que fosse que se pusesse, que elas nem desgrudavam e em muitas horas mais pareciam elas a estarem em luta de…