DA LOUCURA COMO ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA

Que digo é que já fiquei a dar nó em lombrigas (as lombrigas a crescerem no estômago, a gente a lhes comer e nem sabermos. Assim era a minha conclusão: que não me passava que as lombrigas nascessem de um nada plantado na gente, senão que pela boca é que nos entrava) e até já fiquei a amarrá-las, as lombrigas, na cintura, a forma estável de um cinturão e só a essa forma é que ficavam, não adiantando querelas a forma de rodar na cintura, igual se fazia quando de um pedaço de mangueira untado e batizado em bambolê, como se era moda na meninice. Não servindo, assim então, em nada em presente pra namoro. E não estando as lombrigas mortas ficavam elas em querer se desatarem dos nós. Coisa que ficava a lembrar-me os dedos de minha avó no se desenleando do tricô. Que em tudo isso, se bem se olhasse as lombrigas, se perceberia o engenho dos nós a ficarem cegos. Nem bastava óleo, o tanto que fosse que se pusesse, que elas nem desgrudavam e em muitas horas mais pareciam elas a estarem em luta de cabo de guerra. Ainda alguém de perto, que a tudo assistia, lembrava que elas até pareciam cães engatados de coito, o que a mim pareceu que isto não parecia.

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