crônica 4

Primeiro o vendedor alertou que o gato era especial, depois que sendo especial seria muito caro. Especial porque não precisará comer, mastigar ou engolir nada. Nem água ele não precisa, nada, disse o vendedor. Comprei o bichano, que sendo caro e não comendo, com o tempo acabaria me saindo barato. Depois de um mês o pelo do gato caiu. Ficou somente o couro muito grosso e, de quando em quando, uma filepinha de buço. Um mês à frente e já não tinha ele mais o nariz de gato, neste lugar havia agora uma tromba. Em certas horas a tromba soava. Primeiro só os pratos é que tremiam, depois a mesa, depois a cozinha, a casa. Tempo mais a frente e já não tinha o gato as patas, as garras e o rabo ficara muito pequeno para o corpo muito grande. O corpo enorme, as patas muito grosas. Passou a morar no quintal. Lá aconteceu de um rato lhe aparecer no meio do caminho e o que fizera ele foi afastasse para um canto do muro e lá ficando a tremer, o que fazia, conforme o seu peso, que as árvores do quintal ficassem também a tremer. Ainda acionou a tromba, como estratégia de defesa, mas esta não surtia efeito em rato. O rato lhe chegava mais perto porque mais perto do cocho ele estava. Nesse dia só o podemos chamar do que ele era, que já não era gato de nenhuma espécie, senão que era ele todo elefante.  De já ter ele o tamanho, as orelhas, as patas e a tromba.

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