Crônica 2



Havia o pé de seriguela. O Avô que o tinha plantado. Fez a cova, jogou o caroço, encharcou d’água, limpou o mato que nascia ao redor e a árvore cresceu em bifurcação. De um lado os galhos invadiam o outro quintal. Ficava o vizinho a saborear as frutas e a esposa a varrer o empesto de folhas. Um dia a esposa pegou ar. Viera reclamar das folhas caindo. As que ali caiam e as que o vento levava. Os olhos pequenos, a boca pequena, os dentes retos. Apontava para a árvore: varrer folhas, apanhar folhas, jogar folhas. Estou com a coluna que não me aguento... O certo é certo, disse meu Avô, cortando a bifurcação do pé de seriguela. Pela hora do almoço o esposo esculachara com a mulher. Abria os braços no vazio, pousava os braços na cintura. E agora mulher, e as frutinhas? O homem chegou-se para meu Avô, fez cerimônia e pediu umas seriguelas. Cavou uma carreira de buracos e as plantara.

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