eu tomara ver

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O corpo na beirada. Desse um vento o corpo cairia. O corpo caindo, agora. Décimo andar: pernas e braços, esperneando. Os pés subindo, as mãos escalando. Tivesse uma corda ela escaparia. Nono, oitavo, sétimo andar: grito. Já um grito afogado, mas ainda grito. O que foi que eu fiz, ela pensava. Um instante de nada, ela pensou: fiz besteira, fiz besteira poxa. Sexto, quinto, quarto andar: encostou o queixo contra o peito. Teria aprendido numa aula de primeiros socorros. ...É importante, em caso de queda, procurar encostar... Os alunos no pátio, o bombeiro falando. Ela ouvia e passava mensagens no iphone: @nathy se o bombeiro fosse bombado eu pegava fogo #ficadica. Dez minutos depois ela colocava o fone no ouvido. O cara falou umas coisas lá, tipo que a pessoa... nem lembro mãe, um saco. Disse no carro. Terceiro, segundo andar: fecha os olhos, faz careta, prende a respiração. Primeiro andar: espera o impacto. O corpo subirá dois centímetros, mas quem assistir não perceberá. Ossos se quebrarão, ninguém os ouvirá. Só aquele barulho de corpo se estatelando no chão, forrando-o de carne, sangue e vísceras, é que ouvirão. Andar térreo: o impacto... Dressa abre os olhos. Vai à cozinha, abre a geladeira, bebe água. Porcaria de sonho. De novo. 

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