Paulo Gervais, Poeta.


Paulo Gervais havia publicado “Guerra Florida” no ano 2001. Um livro excepcional, já em sua estreia. Dezesseis anos depois ele nos brinda com Paulatim, uma joia de esmero e apuro de linguagem!

a árvore não é, senão
um desvio do grão:
que explica e ramifica
e complica a vida (...) 


Paulatim é uma leitura de busca. Uma busca, que se bem cuidada, nos revelará um Poeta exato. Enxuto de palavras e derramado de imagens. O que, ao meu ver, traz força a sua poesia.

a coisa se veste
de palavras:
dela se despe,
sem ela nada

amiúde tece
para si
uma malha, tibí;

a gente sabe
a coisa, de ouvir
ecoar a palavra,

ver a imagem
esculpida na página:
capaz de fala,

enganar pigmaleão
sua obra magma:
que não fez a mão

sua, e valha
outro grão, a palha. 


Paula Gervais nos traz versos de labuta, apuro, esmero. Tudo isso para resgatar o seu passado mítico: seus avós e as demais gentes que povoaram o lúdico de sua meninice. Paulatim é um livro de suas origens, seu germinar e florir.

ter esses sinais
cortados nos dedos
de mim faz
outro, em baixo relevo,

de fino nariz
e média estatura,
tensionando o osso (...) 


Graças aos deuses Paulo Gervais não sofre de malabarismos e pirotecnias. Artifícios que aleijam a poesia contemporânea. É um poeta que se faz na franqueza: na honestidade de se comunicar ―para quem o procura
, e sapiência de ter o que dizer, embora sem nos revelar. Revelando.  
 

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