(A)deus Marcus Accioly



Morreu o Poeta épico, Marcus Accioly. Em 2002 tomei contato com a sua obra, quando li 'Nordestinados, livro que havia me impressionado muito. Li e reli umas tantas vezes. Na contracapa havia alguns elogios de Drummond e João Cabral. Quem era esse Marcus Accioly? Alguns anos depois tive a chance de conhecê-lo e, atrevidamente, mostrar os poemas do meu primeiro livro, 'A morte' (que só seria publicado em 2008).

Tive medo do que viria. Eu estava diante de um dos maiores poetas vivos do Brasil, e ele estava lendo meus poemas, escritos ainda nos tempos de faculdade, aos vinte e poucos anos. Eu ia criando desculpas, caso o Poeta não gostasse dos poemas do jovem petulante: “são só rascunhos, são só ideias, são nada com nadas.”

Estava diante de um ídolo. Eu era Davi e ele o Golias. Mas, era ele quem poderia me atirar a pedra, derrubar-me. Que ideia teria sido aquela minha de mostrar meus poemas de puberdade e espinhas? O Poeta tirou os óculos, franziu a testa, me fez umas três perguntas que devo ter balbuciado as respostas. Parecia que estava com raiva. Não piscava os olhos. O Golias observava o Davizinho magricela a sua frente.

Pôs os óculos e voltou a ler. Fazia umas leves caretas como se mentalmente fizesse perguntas a si mesmo. Passaram-se alguns instantes que procurei preencher com formulações de desculpas. Por fim o Poeta pediu a atenção de todos que estavam próximo, empurrou os óculos na cara e disse, "vejam isto, escutem que beleza de construção", e Golias continuou em voz alta e cadenciada, retendo a atenção de todos e lendo alguns dos meus poemas.

Foi a maior vergonha que tive. Foi o maior orgulho que tive! O Golias não me apedrejara. Pelo contrário, me estendia a mão e apontava o caminho a seguir. Caminho que sigo e seguirei nas tantas vidas que tiver.

Adeus Poeta. Obrigado irmão!

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