Elefante


Sempre gostei de elefantes. Aquele tamanhão e peso em preencher os olhos. O peso de montanha e a bondade de freira. Bondade ou mansidão. O olhar de boi, miúdo, brilhoso e triste. De tristeza ou mansidão.

Alguém disse que os elefantes eram criaturas sorumbáticas, cometendo até suicídio. Vejam isso: suicídio! Que tanta tristeza carrega um elefante? Como que um elefante comete suicídio? Quase perguntei. Preferi imaginar e ficar com a poesia suicida. Venho criando essa arte: a de não perguntar e preencher o não respondido.

Eu, se fosse um elefante, me mataria!
Por que isso?
Por todo peso que teria de carregar infinitamente.

Refleti: o tanto de peso que deve ser carregar a si próprio.

Mas vejamos o tanto de tristeza de um elefante. Vejamos a baleia, por exemplo. A baleia não tem o problema de carregar o seu peso, uma vez que desliza, escorrega nos oceanos, seu tobogã. No princípio a baleia era um peixe igual aos outros: pequeno, escamoso e cheio daquele tic de ficar abrindo e fechando a boca sem nada mastigar. Passou o tempo e Deus quis que a baleia virasse o balão do mar. A jubarte e o zepelim das vastezas das águas. 


(Imagem: Pinterest)

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