Fossas


Lembro uma carta de Isherwood para W. H. Auden, numa correspondências cheia de desculpas, finalizada com “E, veja você, que além de um enxame de doenças, minha fossa veio transbordar hoje pela manhã. Estou, como pode ver, ilhado em doenças e excrementos.” Pois vejam vocês, passei metade da vida sem refletir sobre a importância da fossa. E, nos últimos dias, não faço outra coisa. Uma obsessão. A humanidade se fez com fogo, água encanada, geladeiras e fossas fundas e robustas. Perguntará, um curioso leitor, de onde tirei estas considerações sobre as fossas? Direi: do Chico Sá e seu livro Big Jato, que, além de bem escrito, é divertidíssimo. Livro anedótico e espirituoso. Nele, pai e filho, ganham a vida desentupindo fossas com o auxilio de mangueiras sugadoras e um caminhão, o fenemê.

© Helder Herik
Maira Gall