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Mostrando postagens de Março, 2018

Poderes de Deus

Amigos, suponhamos que um de nós fosse o Deus poderoso. Cada um com a sua vaidade latente, e não me venham dizer que a excluiriam. Vaidade, soberba, jactância... A minha, por exemplo, seria piscar um olho e derrubar chuvas nos sertões sem fim ou ainda estalar um dedo e madurecer seriguelas. Frutinha que regozija a alma. Pois bem, cada um ostentando a sua divindade e, para dá verossimilhança, cada um com o seu diabo lazarento, acorrentado a um poste, raivoso de carrapatos lhe chuparem o sangue. Ao diabo, veja bem, não faltariam motivos a sua hidrofobia.
Um leitor já havia reparado, “em seus textos o diabo flui, vem à tona como se fosse um bom dia, boa noite. Parece que o demo lhe toma as rédeas". Espetáculo de comentário. Renderá outra crônica. Esperem só para ver o texto infernal que virá. Mas voltemos ao assunto. Um de nós sendo o Deus poderoso. De modo que poderíamos apontar um sujeito na rua e dizer, este é ladrão. Ou mesmo dizer em megafones, fulano de tal é ladrão, saiam de p…

Liberdade

Na janela do meu escritório pousa um passarinho. O mais vagabundo e vira-lata deles: o pardal. Defeca e fica me olhando, virando a cabeça pra um lado e outro. Intrigado, fecha um olho, como se fosse um consertador de relógios antigos. Examina-me. Resolvo fazer o mesmo. Fico a imitá-lo, torcendo pra que a esposa não abra a porta e se depare com a cena.
O pardal é um pássaro vagabundo, pois sim. Mas, é justamente aí a sua vantagem. Nenhum outro pássaro no Brasil consegue vagabundear os céus. A calopsita, o canário, o papagaio, o galo de campina, o sanhaçu... Estas criaturas vivem desassossegadas. Coraçãozinho pulando pela boca. Voos curtos, com várias escalas entre as árvores, escondendo-se entre folhas. Estes fugitivos possuem a tristeza de nunca estufar o peito e pousar para uma fotografia. Qual o crime deles, senão o de serem bonitos e cantarem bem. A beleza põe a mesa e, também, põe na gaiola. O pardal não. O bichinho é feião e desafinado. Um desmantelo. E, por tudo isso, é que ele …

Bonecas

Um amigo telefona da França. Pergunta se a passeata das prostitutas estaria repercutindo no Brasil. Fico calado, pensando do que se trata. O amigo se espanta e começa a falar do atraso do nosso país. Que agora só damos importância a bate-boca entre ministros do Supremo. Mas afinal, e as prostitutas, o que têm elas? Pergunto. E contou-me a história. Tim-tim por tim-tim.
Amigo leitor, vejam só: no país dos perfumes e escargots, só se fala das bonecas de silicone. Loiras, ruivas, negras. A preferência do freguês, que paga certa quantia e leva as bonecas para o quarto. Lá ficando por uma ou duas horas nas mais corrompidas praticas do sexo. Para deixar a coisa ainda mais picante, as bonecas possuem um repertório de mais de duzentas freses com variados níveis de equalizações.
As prostitutas francesas com o medo evidente de perder a freguesia, já começam a fazer barricadas e pressionar os políticos (alguns até fregueses antigos). Qual saída teria achado o governo? Segundo o meu amigo, o argum…

Ximbre

O meninozinho foi chamado pro jogo de ximbre
ele sem nenhuma bolinha
deu doido
e tirou um olho