Nada a temer


Já disse que no Brasil não se matam famosos, sobretudo os políticos. Falta uma grande tragédia nacional a qual devamos nos unir no choro ou na alegria. O sujeito passa de carro e apontamos, olha quem está ali, o deputado fulano de tal e a sua comitiva de puxa sacos, quantos empregos temos dentro daquele carro, quantos mil reais deve ter do nosso bolso naqueles bolsos ali? E o brasileiro fica nisso de apontar com os dedos os larápios. Um marciano dirá que ainda estamos no invólucro. Em um país de menos carnaval o que se apontaria eram revólveres e escopetas. O Brasileiro é a paz mundial. Deem um Nobel ao povo brasileiro. Brigamos pelos pernas de pau do nosso time e nada mais. Não digo que o brasileiro deva sair dando tiros por aí, mas onde estão os justiceiros? Aqueles que atiram na cabeça dos cheiradores de cola e maconheirozinhos de terreno baldio. Nossos justiceiros só atiram nos infelizes que não se aguentam em pé, empurram bêbados e chutam vira-latas. Capaz de verem políticos corruptos – só os corruptos, por favor – e apontarem com o dedo, quantos mil reais deve ter do nosso bolso naqueles bolsos ali?

© Helder Herik
Maira Gall