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Mostrando postagens de Dezembro, 2018

A bruxa das injeções

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Uma moça entrou sorrindo na sala, “essa garota linda vai tomar vacina hoje?”. Era a enfermeira. Jovem, bonita e alegre. Alguma coisa estava errada. Onde estaria a bruxa velha com os cabelos desgrenhados e verruga na ponta do nariz? Onde estaria a cara de enfado e a roupa respingada de sangue? Poderia ser uma estagiária e aquela beleza toda estaria disfarçando um ser demoníaco. Lobo em pele de cordeiro. Seria inexperiente e estaria na sua primeira semana de enfiar agulhas pontudas em criancinhas inocentes. Teria acordado naquele dia com um único pensamento: furar todas as criancinhas do mundo. Uma, duas, três vezes. E a minha filhinha de dois meses seria a sua bonequinha de espetar agulhas. Um vodu de carne e osso.
A enfermeira ficou de costas para mim e trocou umas duas palavras com a minha esposa. Que teria dito? Depois alisou os cabelos de minha filha, “que amorzinho que ela é”. Minha filha parece ter um geniozinho difícil, já se percebe a rebeldia em esticar o corpo, estapear a mama…

Injeções

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O calor havia dado uma trégua e a esposa e eu resolvemos levar nossa bebê para as terríveis vacinas de dois meses. A esposa havia alertado que seriam quatro vacinas: uma bisnaga na boca, uma injeção na perna esquerda e duas injeções na perna direita. Por qual motivo a perna direita levaria duas furadas e não uma só? Estaria o Governo eliminando as pessoas canhotas, queria ele um mundo com cadeiras escolares só para as pessoas destras? Três injeções! Três furadas! Uma infinidade de buracos para qualquer ser humano, até para os mais valentões. Todos eles mentirosos.
Iriam furar a minha filha e ela só tinha dois meses. Iriam trucidar as carnes de minha menininha. Agulhas pontudas iriam mergulhar com brutalidade a pessoa mais importante de minha vida. Isso é lá coisa que um pai possa permitir? O homem sapiens chegou até a lua e até já se fala em experiências com teletransporte e transplante de cérebro, mas a minha filhinha de dois meses seria escalpelada sem piedade.
Esperamos na sala até …

Um bilhão de formigas

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Para cada ser humano existe cerca de um bilhão de formigas. Descobri isso por esses dias, mas estou descrente. Geralmente eu creio nas coisas e evito conflitos. Se me dissessem que a terra ficou quadrada eu acreditaria, “pois que sim, as coisas redondas são uma chatice total e sendo a terra quadrada deve ficar mais divertida”. E alguém iria contestas, “mas você não acha estranho, a terra sempre foi redonda e, do nada, passou a ficar quadrada?” Coisas da vida, diria eu, sigamos em frente. Mas essa de existir um bilhão de formigas para cada ser humano é de lascar. Como é que um sujeito calcula isso? Que cientista teria essa paciência de monge? Na certa deve existir um aparelho de contar formigas, tudo bem, a tecnologia tá aí pra isso e o Miguel Nicolelis tá fazendo paralíticos andarem e tudo — aqui para nós, o Nicolelis já fez por merecer um Nobel e se ainda não o entregaram e por achar que o nosso negócio e chutar bolas e bater pandeiro —. Mas a pergunta fica martelando: como os cienti…