segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Um bilhão de formigas


Para cada ser humano existe cerca de um bilhão de formigas. Descobri isso por esses dias, mas estou descrente. Geralmente eu creio nas coisas e evito conflitos. Se me dissessem que a terra ficou quadrada eu acreditaria, “pois que sim, as coisas redondas são uma chatice total e sendo a terra quadrada deve ficar mais divertida”. E alguém iria contestas, “mas você não acha estranho, a terra sempre foi redonda e, do nada, passou a ficar quadrada?” Coisas da vida, diria eu, sigamos em frente. Mas essa de existir um bilhão de formigas para cada ser humano é de lascar. Como é que um sujeito calcula isso? Que cientista teria essa paciência de monge? Na certa deve existir um aparelho de contar formigas, tudo bem, a tecnologia tá aí pra isso e o Miguel Nicolelis tá fazendo paralíticos andarem e tudo — aqui para nós, o Nicolelis já fez por merecer um Nobel e se ainda não o entregaram e por achar que o nosso negócio e chutar bolas e bater pandeiro —. Mas a pergunta fica martelando: como os cientistas conseguem achar um bilhão de formigas enfileiradas, pacientes, esperando sua vez de passar pela máquina de contar bichinhos? “E essa fila que não anda, hein?” “Nem me fale, deixei de sair com umas amigas pra catar os farelos daquele festona de formatura, se brincar os gafanhotos já devem ter comido tudo.”