domingo, 19 de maio de 2019

Crônica de malabarismos e aprumos


O homem abaixou e pegou uma pedra. Estou no semáforo e o observo. Será um dia agitado e o cérebro lateja as ideias. Crio a fabulação que aquela pedra é um pedaço do planeta. O planeta está se desintegrando. Indiferente a minha fabulação está o homem que abaixou, pegou uma pedra e agora a joga para cima. Antes que ela caia, o homem joga outra pedra e mais outra e aquilo vira um malabarismo. Agora o semáforo poderia demorar toda a manhã! As pessoas passam e desviam do malabarista. As pessoas com horários e problemas. Desviam e torcem a cara. Eu não! Abro o sorriso diante do espetáculo da vida. Eu saúdo a loucura que caiu sobre aquele homem. Impossível não o perceber com aquele colete neon. Faz mototáxi. Faz malabarismo com pedacinhos do planeta. Faz a vida sair do piloto automático. Faz de conta que está num circo. Então uma pedra começa a esfarelar, vai se desintegrando até virar poeira. Agora as pessoas abanam a mão e é possível que até o xinguem. É possível que chamem a polícia e o queiram preso.