quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A deputada Peppa


Era uma vez, num país do futuro, uma deputada que foi chamada de Peppa e agora estava fora de si. Agora ela estava um pimentão de raiva. Era o sangue fervendo os ossos e as vísceras. A Peppa era uma sopa por dentro. Fervendo, fervente.

A Peppa era muito forte na frente de uma tela touch screen (há quem diga que a tela touch screen é a pior das invenções pós-modernas). Ali, na tela, ela mexia os dedinhos gorduchos e sentava lenha na oposição. Bando de comunistas, de energúmenos e tudo mais, ela dizia.  Naturalmente a Peppa agredia os opositores, mas agora era ela a agredida. Era ela a chamada de porca. Uma porca gorda pra abate. A Peppa das Peppas.

Naturalmente a Peppa oscilava momento de raiva e tristeza. Na raiva ele desejava matar e na tristeza ela desejava ser morta por um cometa, uma laje ou entalada com cuscuz ou cuspe ou seja lá o quê. Então ela mexeu os pauzinhos de deputada e foi a um programa famoso dizer tudo que queria, inclusive ela chamou o presidento (que ajudou a eleger) de idiota. Safado. Mentiroso e ingênuo. E tudo parecia encaixar direitinho, menos que o presidento Chuck  fosse um ingênuo.